Por que a docência perdeu prestígio e como recuperá-lo?

02/08/2018 | Conviva Educação
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Dia 27 de julho, houve o lançamento do livro Profissão Professor na América Latina: Por que a docência perdeu prestígio e como recuperá-lo?, iniciativa da Divisão de Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e apoio do Todos Pela Educação.

Em uma sala lotada de especialistas em educação, Gregory Elacqua e Emiliana Vegas, co-autores do livro ao lado de Diana Hincapié e Mariana Alfonso, apresentaram a publicação (faça o download do livro na íntegra neste link) e a comparação dos dados coletados em países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México e Peru).

Em seguida, foi realizada uma mesa redonda (foto acima) com Adriana Guimas (coordenadora do Programa de Tutoria Educacional da Secretaria Municipal de Educação de Manaus), Cláudia Santa Rosa (Secretária Estadual de Educação do Rio Grande do Norte), Gabriela Moriconi (pesquisadora da Fundação Carlos Chagas) e Katia Smole (Secretária de Educação Básica do Ministério da Educação). Claudia Costin (Diretora do CEIPE, da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro) fez as considerações finais.

A equipe do Conviva participou do encontro realizado na sede do Todos Pela Educação, um dos 13 parceiros do Conviva, para registrar para você as principais ideias sobre o prestígio da profissão docente apresentadas no livro.

 

Discussão sobre a profissão docente

Até a metade do século 20, o docente era reconhecido nos países da América Latina como intelectual e pela liderança social. Porém, segundo o livro, dois fatores contribuíram para esse prestígio diminuir:

1) Entre 1960 e 1980, quando houve rápida expansão de atendimento de estudantes, também foi necessário o aumento do número de docentes. A qualidade da formação inicial dos educadores e as condições de trabalho docente foram prejudicadas, o salário diminuiu, e consequentemente houve perda do prestígio da profissão.

2) As mulheres passaram a ter melhores oportunidades de estudo e emprego, migrando para outras áreas. Com isso, embora a docência ainda tenha expressiva participação feminina, deixou de ser atrativa. “É óbvio que essa situação é, em si, positiva, mas a mudança trouxe impacto na profissão docente”, afirmou Gregory Elacqua.

O livro apontou experiências de reformas educacionais sistêmicas realizadas em cinco países (Chile, Colômbia, Equador, México e Peru) nas últimas duas décadas e que podem ser referência para a melhoria das condições e qualidade do trabalho – e consequente aumento do prestígio docente a médio e longo prazos.  

Atrair: para que estudantes talentosos escolham a docência como profissão, os países analisados têm aumentado salários, estabelecido plano de carreira baseado em mérito, regulamentação do tempo não letivo na jornada de trabalho, incentivos para atrair professores para as escolas que mais necessitam. “Há poucos interessados em ser professor. Nos países estudados, o Peru é o caso mais extremo: menos de 3% dos alunos de 15 anos declaram querer a profissão. No Brasil, são 5%, contra 21% se comparado com o curso de engenharia. Apesar disso, 20% dos que fazem cursos superiores, matriculam-se em programas de educação, como pedagogia. Acaba sendo refúgio para quem precisa de diploma e vê na área da educação uma alternativa viável.”, comenta Elacqua.

Formar: programas de formação inicial com níveis de qualidade elevados são essenciais para que o profissional esteja qualificado para a função. Nos países analisados, há maiores requisitos para o ingresso em programas de formação inicial docente, incentivos econômicos para candidatos talentosos, regulamentação do conteúdo, sistemas de certificação, financiamento de projetos de melhoria.

Selecionar: entre os estudantes formados, os cinco países fomentam uma seleção de educadores pautada no mérito e apoio no início da carreira, com concursos de ingresso na rede pública, programas de integração e períodos probatórios. “É comum o incentivo ao bom desempenho e a punição a quem não mostra resultados nas avaliações docentes”, diz Elacqua.

A publicação traz ainda o detalhamento das políticas públicas realizadas no Equador (Lei Orgânica de Educação Intercultural), Peru (Carreira Pública Magisterial e Lei de Reforma do Magistério), Chile (Sistema de Desenvolvimento Profissional Docente), México (Lei Geral do Serviço Profissional Docente) e Colômbia (Estatuto de Profissionalização Docente).

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